Texto CB1A1AAA1 Na mídia em geral, nos discursos políticos, emmensagens publicitárias, na fala de diferentes atores sociais,enfim, nos diversos contextos em que a comunicação se faz4 presente, deparamo-nos repetidas vezes com a palavracidadania. Esse largo uso, porém, não torna evidente seusignificado. Ao contrário, o fato de admitir vários empregos7 deprecia seu valor conceitual, isto é, sua capacidade de nosfazer compreender certa ordem de eventos. Por que, então, apalavra cidadania é constantemente evocada, se o seu10 significado é tão pouco esclarecido? Uma resposta possível a essa indagação começa peloreconhecimento de que há um considerável avanço da agenda13 igualitária no mundo e, decorrente disso, uma valorização semprecedentes da ideia de direitos. O fenômeno é mundial, afeta,de modos e em graus distintos, todas as sociedades e aponta16 para uma democratização progressiva e sustentada dasrepúblicas. Observam-se também, nesse contexto, passagenscontínuas da condição de indivíduo à de cidadão, na medida19 em que temas do domínio privado que, por sua incidência erelevância, passam a ser amplamente debatidos na esferapública podem influenciar o sistema político a torná-los22 matéria de interesse geral e, no limite, direitos positivados. Em suma, reconhecer a centralidade que assumiu adiscussão sobre direitos ajuda a entender a atual onipresença da25 palavra cidadania. Mas avançar na elucidação desse fenômenoimpõe perceber que, ao lado da valorização dos direitos, sedesenvolve igualmente a certeza de que o caminho para28 efetivá-los é a mobilização pública do sentimento de justiça,e não a ativação de métodos personalistas de acesso a eles. Emoutras palavras, considera-se cada vez mais importante que os31 direitos estejam fortemente conectados com a plena autonomiapolítica dos indivíduos, de modo que não sejam vividos comofavores concedidos por governantes, filantropos, patronos ou34 equivalentes.Maria Alice Rezende de Carvalho. Cidadania e direitos. In: André Botelho e LiliaMoritz Schwarcz (Orgs.). Agenda brasileira: temas de uma sociedade emmudança. São Paulo: Companhia das Letras, 2011 (com adaptações). No primeiro parágrafo do texto CB1A1AAA, o referente da forma pronominal “sua” (l.7) é